Grupo Ilha

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    Nossa Missão

    Somos uma grande família que se orgulha com total comprometimento em garantir a melhor experiência gastronômica para todos os nossos clientes em nossos restaurantes através do alto padrão de qualidade dos nossos produtos e serviços

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    Nossa Visão

    Trabalhamos todos os dias com o pensamento em sermos o líder no mercado recifense e nos tornarmos a empresa mais admirada do setor gastronômico pela combinação de produtos com alto padrão de qualidade e autêntica vocação em servir nossos clientes

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    Oque oferecemos

    Somos um grupo de restaurantes que oferece serviços de alimentação fora do lar, proporcionando momentos de lazer e entretenimento para todos os nossos clientes.

Nos livros de Geografia, Ilha é definida por: “uma porção de terra cercada de água por todos os lados”. Mas, no caso do Grupo Ilha, foi o sucesso que acabou cercando as suas ilhas. Conheça a história de perseverança, carisma e empreendedorismo de um dos mais conhecidos cases de sucesso da gastronomia pernambucana.

No Brasil existem muitas histórias bem-sucedidas de negócios administrados com base familiar, sobretudo no mercado da gastronomia. Mas, em particular, a história dos empresários José Inácio de Lucena, 51 anos, e Severino Inácio de Lucena (também conhecido como Bill Ilha), 50 anos, fundadores do Grupo Ilha, uma das mais conhecidas redes de bares e restaurantes de Pernambuco, chama a atenção por várias peculiaridades. Sobretudo pela luta e pela perseverança de não desistir de seus sonhos e ideais, o que serve de exemplo para muitos empreendedores.

Uma história que começou em Frei Miguelinho, uma pequena cidade do agreste pernambucano localizada a 114 quilômetros de Recife. Mais precisamente no Sítio Ventura, zona rural do município. No ano de 1978, José Inácio e Severino, os filhos mais velhos do casal Josefa e Inácio Lucena, chegam a Recife com a esperança de buscar um futuro melhor para eles e sua família. A infância dos irmãos foi dedicada basicamente ao trabalho na lavoura. Viviam numa casa simples, sem luz elétrica e água encanada, cuja realidade era também a de muitos moradores da cidade na época. José Inácio foi o primeiro à chegar a capital e quatro meses depois veio Severino.

Mesmo muito jovens, começaram a sua jornada na cidade grande como auxiliares de serviços gerais através de uma vaga surgida na Cantina Star, no bairro da Boa Vista. Foi aí que os irmãos tiveram seu primeiro contato com o mundo da gastronomia. Depois, passaram a trabalhar como auxiliares de cozinha e ficaram juntos até 1980, quando Bill deixou a Cantina Star e foi trabalhar no restaurante Ilha de Kos (nome inspirado na famosa Ilha Grega, localizada no Sudeste do Mar Egeu). José Inácio foi para o restaurante Casa D’Itália. Em ambas as casas exerceram funções semelhantes. Foram auxiliares de cozinha, depois auxiliares de garçons e, por último, começaram a trabalhar como garçons, seguindo a trajetória de muitos conterrâneos de Frei Miguelinho (a cidade é conhecida em Pernambuco como “cidade dos garçons”, pois boa parte dos garçons da região metropolitana do Recife são oriundos deste município).

Com o surgimento do primeiro Ilha da Kosta (que funciona no mesmo local hoje em dia e pertencia ao mesmo dono do Ilha de Kos, Inácio Silva), Severino também foi para lá trabalhar como garçom. Em 1982, passando por dificuldades financeiras, o dono do restaurante perguntou se Severino teria interesse de assumir o comando da casa. Sozinho, ele não poderia. Porém, entrou em contato com o seu irmão e mais um sócio (Erasmo). Ambos juntaram o capital necessário e passaram a gerenciar a casa, que ficou fechada por apenas três dias e reabriu com o mesmo nome. Apesar da pouca idade (Severino tinha apenas 17 anos e 10 meses), ele se via capaz para tocar o negócio com êxito e aceitou o desafio. Abriu mão de conforto de uma casa para morar no próprio negócio e economizar dinheiro com aluguel. Também não gastava com supérfluos, tudo para poder economizar ao máximo com as despesas para manter os compromissos do restaurante em dia. E reinvestir o lucro no próprio negócio. O movimento da casa ia evoluindo aos poucos. Paulatinamente o restaurante começava a cair no gosto do público, basicamente formado por turistas e pelos jovens de Boa Viagem, que antes de saírem para a “noitada” faziam uma parada obrigatória no Ilha da Kosta.

Percebendo isso, os irmãos saiam divulgando o restaurante através de panfletos distribuídos nas boates e casas de show de Recife, destacando que a casa ficava aberta até o início da manhã, para também pegar o público que chegava das festas espalhadas pela cidade e que não dispensavam o suculento parmegiana, ou simplesmente parmê (prato considerado o carro-chefe do restaurante) para matar a fome. “As pessoas podem não me conhecer, mas quando falam do Ilha da Kosta logo lembram do parmê”, conta Severino. Outros tamanhos de parmegiana também foram criados com o tempo para se adaptar as necessidades do cliente. Rapidamente, os pais dos filhos que frequentavam o Ilha da Kosta naquela época também passaram a frequentar a casa, o que ajudou a fidelizar ainda mais o público em Boa Viagem. Clientela esta que em certos casos já chega à terceira geração hoje em dia.

SEGREDOS DAS ILHAS Muitos clientes já devem ter feito essa pergunta: Por que o famoso “Parmê” servido no Ilha da Kosta é tão saboroso e requisitado até hoje por quem frequenta o local? Apuramos e descobrimos que o segredo pode estar na composição do molho, já que ele é feito pelo mesmo cozinheiro desde o começo do grupo. “Não é um molho de tomate comum, Pomodoro, é um molho diferente”, nos explica Bill. Outro prato bastante conhecido do grupo é a moqueca servida no Ilha dos Navegantes, bastante elogiada pelos clientes da casa. Neste caso, ele revela que o segredinho está na boa escolha dos tomates que vão para o molho. Ele lembra que os tomates precisam estar bem maduros. “Não podem ser aqueles usados em saladas. Mesmo que não sejam grandes. Além de que, quanto mais tempo a moqueca ficar cozinhando, melhor”.

Com a saída de Erasmo da sociedade após dois anos, os irmãos não desistiram e continuaram à frente do empreendimento. Logo surgia o Costa do Mar, a primeira filial do Grupo Ilha. O nome acabou não pegando e rapidamente foi alterado para Ilha da Kosta II. O cardápio era basicamente o mesmo do Ilha da Kosta, com exceção de alguns tipos de carne na brasa que eram servidos e logo foram retirados por conta da fumaça excessiva no local. O movimento da nova casa não evoluiu satisfatoriamente por alguns anos. Até que, no começo dos anos 90, chega ao Brasil o conceito dos restaurantes que vendem comida por peso, também chamados de “self service”. Percebendo uma boa oportunidade de alavancar os negócios, os irmãos decidem introduzir o serviço nos dois restaurantes do Grupo Ilha. Tacada certeira. Por pouco, não foram os pioneiros no Recife, mas foram os que mais obtiveram sucesso na época. O serviço de “comida por peso” oferecia ao cliente a rapidez e a liberdade de escolha, tanto do alimento quanto da quantidade desejada. Para os restaurantes, a vantagem do baixo custo de implantação, a maior eficiência decorrente do preparo dos alimentos em grandes quantidades e a capacidade de servir mais clientes ao mesmo tempo através do sistema delivery (entrega em casa), que também passou a ser oferecido pelo Ilha da Kosta II. Rapidamente a casa se tornou um referencial deste serviço no Recife. Com uma média de 400 refeições vendidas ao dia, que nos fins de semana chegavam facilmente as 800. O recorde foi de 981 almoços vendidos em um único dia. O grupo enfim dava o seu grande salto de crescimento e se preparava para ampliar seus horizontes de atuação.

Em 1998 a área do Ilha da Kosta II foi expandida, onde um novo estacionamento foi criado e o grupo trazia a sua clientela uma nova opção: o Ilha do Guaiamum, para atender o público que gostava de frutos do mar e especialmente o guaiamum. A casa rapidamente caiu no gosto e assim se mantém até hoje como uma das mais conhecidas na cidade. Sempre buscando ampliar sua gama de serviços oferecidos, o Grupo Ilha mostrava uma de suas características particulares: a de sempre buscar novos clientes com diversificadas ofertas de cardápio: “Buscamos sempre novos clientes. O cliente vai numa casa, vai de novo e depois não vai mais. Aí você precisa reformar o espaço para atrair o cliente a ir novamente”, conta Bill.

E novas opções surgiram para atrair novos clientes. Inicialmente foi lançado o Ilha Burger, a primeira lanchonete do grupo situada na Avenida Antônio Falcão, em Boa Viagem. Em tempos de Carnaval e de Recifolia, a lanchonete se tornava um point estratégico de encontro e também para que os foliões pudessem repor as energias com os saborosos sanduíches servidos no local. Em noites de festa, eram vendidos facilmente quase 2000 sanduíches/ dia. Atualmente o Ilha Burger deixou a Antônio Falcão e está operando no mesmo lugar do Ile de Crepe, mas há planos para que a casa em breve volte a operar sozinha em outro local.

Com a descoberta da culinária japonesa pelo recifense no fim dos anos 90, Bill e Zé Inácio pesquisaram e viram uma nova oportunidade de negócio. Então, em 2000, surgiu o Ilha Sushi, que funciona também no mesmo local do Ilha da Kosta II. Apesar da grande concorrência de outros restaurantes japoneses na cidade, o Ilha Sushi ainda se mantém com uma boa clientela até hoje e passará em breve por uma nova roupagem em suas instalações.

A creperia do grupo, o Ile de Crepe, abriu em 2008 num ponto próximo ao Ilha da Kosta II. Apesar de um público alvo considerado restrito, formado basicamente por casais, a casa segue tendo uma movimentação aceitável e que não inibe o Grupo Ilha a seguir mantendo a operação.

Severino afirma que a preocupação não é apenas o lucro com o negócio, e sim com a oferta de serviços: “A ideia não é ganhar dinheiro com o negócio, e sim manter o grupo com opções que possam atender a vários públicos. Procurar sempre no mercado gastronômico atender ao máximo de público”, explica. Em 2009 nascia um dos projetos mais bem-sucedidos do Grupo Ilha: O Ilha dos Navegantes. O terreno onde hoje funciona o bar e restaurante já era monitorado por Severino há algum tempo. Inicialmente, um prédio seria construído na área, mas o projeto não seguiu em frente. Um dia, passando pelo local, Bill depara-se com uma placa de aluga-se. Era a oportunidade tão esperada. Outros restaurantes também já estavam de olho na área, mas ele foi mais rápido e fechou o negócio, contando com a preferência do dono do terreno em acertar com o Grupo pela credibilidade no mercado. Apesar de já ter um projeto em elaboração para a construção de um restaurante na Av. Conselheiro Aguiar, o mesmo foi adiado para a montagem do Ilha dos Navegantes.

Coube ao renomado arquiteto Pedro Mota desenvolver a planta da casa, com duas características bem marcantes: A grande presença de madeira no ambiente e a posição estratégica do estabelecimento em 180 graus, dando um charme especial a casa, que rapidamente teve grande aceitação do público de Boa Viagem, se tornando até um programa dos fins de semana dos jovens do bairro.

O Ilha Sertaneja é um projeto recente do grupo e foi criado em 2011. O local, que fica situado na Pracinha de Boa Viagem, já havia sido observado anteriormente. Então chegou a informação que a proprietária da casa, já com certa idade, não tinha interesse de alugar o ponto e pretendia montar uma casa de festas no local, aproveitando a proximidade com a Igreja de Boa Viagem. Com o falecimento dela, a casa foi a leilão e acabou sendo adquirida por um companheiro de jogos de futebol de Bill. Sabendo do interesse dele no ponto, o amigo repassou a casa por aluguel, apesar dos inúmeros interessados. Então surgiu a ideia de explorar no local a culinária nordestina, voltada principalmente aos turistas que visitam a pracinha para conhecer a feira de artesanato que funciona próximo ao local. Apesar do pouco tempo de funcionamento da casa, rapidamente ela acabou se estabelecendo e vem tendo uma boa frequência de público.

Mesmo com as dificuldades do mercado de bares e restaurantes, afetado nos últimos tempos com problemas como o fechamento de algumas casas noturnas famosas de Boa Viagem e com o aperto da fiscalização da “Lei Seca” (“A lei é boa, mas tem tido certos exageros. Colocar uma blitz próxima de um bar, como ele vai funcionar?”, questiona Severino), além da redução da frequência de visitantes de bairros afastados da cidade a Zona Sul do Recife, as perspectivas de crescimento do setor são animadoras. Este ano, com a realização da Copa do Mundo e de Eleições, os projetos do Grupo Ilha não estarão voltados à abertura de novas filiais e sim, dar uma prioridade à organização das casas existentes, o que passará por repaginação como, por exemplo, no Ilha da Kosta I, a matriz do grupo. Para 2015 em diante, existem novos planos de ampliação da operação, como a reativação do projeto da filial da Conselheiro Aguiar, que ficou na gaveta após a criação do Ilha dos Navegantes, além da possibilidade da instalação da primeira filial na Zona Norte do Recife. Para manter tudo em ordem nos oito estabelecimentos do grupo é fundamental a participação de pessoas de confiança. No caso do Grupo Ilha a participação da família é uma das chaves do sucesso desde o começo.

Hoje em dia, são os filhos de José Inácio (Renato e Juliana) e Severino (Suelen e Júnior) que estão trabalhando em funções estratégicas no grupo, sobretudo na área administrativa, financeira e de compras. Apesar de alguns desgastes naturais num negócio familiar, não existem grandes dificuldades para lidar com eles. “A divergência (de opiniões) às vezes é benéfica para o negócio, porque chega uma hora que quando você fala com alguém e a pessoa diz: tá certo, tá certo, tá certo… o negócio não anda. Quando alguém pensa diferente, pode surgir uma ideia nova que não estava na cabeça para o negócio”, explica Severino.

E as dicas para essa trajetória vitoriosa de sucesso Bill não esconde: “É buscar fazer o que você gosta e persistir no negócio até dar certo. É como a história do cavalo selado: um dia ele vai passar na sua porta e quando ele passar você tem que estar pronto pra montar. Se você deixar o cavalo passar ele poderá não mais vir mais na sua porta. Pode até passar, mas vai demorar ou nunca mais passará”. E foi persistindo e sabendo a hora certa de montar no cavalo selado que os irmãos Lucena construíram seu caminho até atingir seus objetivos. Para quem está abrindo o seu primeiro negócio Severino também aconselha que estar sempre presente no empreendimento todos os dias, tomando conta de tudo e principalmente ouvindo o cliente é essencial. “Se o cliente reclamou, você precisa responder rápido. Não pode deixar para uma reunião no outro dia, precisa ser agora para que não volte a acontecer de novo”, reforça. Além de prezar pela honestidade, tanto com o cliente como com seus funcionários e fornecedores. Em todos estes anos de estrada, Zé Inácio e Severino sempre defenderam suas origens e mantiveram a mesma humildade e respeito ao público dos tempos em que começaram a trabalhar na capital.

Sempre atentos às criticas construtivas, pois estas são essenciais para a melhoria de qualquer serviço. Afinal, Confúncio dizia que “a humildade é a base sólida de todas as virtudes”. Base esta que tem fomentado a trajetória vitoriosa do Grupo Ilha nestes 31 anos de atividades.

ILHA CAMARÕES Nasceu mais uma ilha no Arquipélago, voltada aos adeptos dos frutos do mar.O Ilha Camarões esta situado no mesmo local onde funcionava o Ilha Burger. Com uma ampla varanda em que cabem aproximadamente 170 pessoas e ambiente climatizado, a ilha também tem opções diferenciadas no seu cardápio, como petiscos, sushi, dentre outros pratos. Sua bandeira foi estiada no último dia 09/04 e pretende, a exemplo dos outros empreendimentos do grupo, superar as expectativas.

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Por: Gustavo Militão

Fotos: Gleyson Ramos